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domingo, 23 de abril de 2017

O CINEMASCOPE ESTREIA COM 'THE ROBE'



O CINEMASCOPE ESTREIA COM 'THE ROBE'


O cineasta Howard Hawks ironizou o Cinemascope: seria funcional para filmar serpentes, comboios e grandes massas humanas; de resto, uma inútil dispersão dos elementos cênicos. Os processos de exibição em tela larga, atualmente conhecidos como widescreen, generalizaram-se a partir de 1953 com o Cinemascope da 20th Century-Fox. Durou até 1967, substituído pelo mais eficaz Panavision. Foi uma das tentativas hollywoodianas — como a Terceira Dimensão, o Vistavision e o Cinerama — para conter a perda de público para a televisão. As superproduções evocando temáticas bíblicas e o Império Romano fazem parte dessa vaga. O insatisfatório O manto sagrado (The robe, 1953), de Henry Koster, integra esse conjunto e, ademais, lança o Cinemascope. 







O manto sagrado
The robe 

Direção:
Henry Koster
Produção:
Frank Ross
20th Century-Fox
EUA - 1953
Elenco:
Richard Burton, Victor Mature, Jean Simmons, Michael Rennie, Ernest Thesiger, Jay Robinson, Dean Jagger, Torin Thatcher, Richard Boone, Betta Saint John, Jeff Morrow, Dawn Adams, Leon Askin, , Frank Pulaski, David Leonard e os não creditados Michael Ansara, Jay Novello, Nicholas Koster, Cameron Mitchell, Sally Corner, Van Des Autels, Percy Helton, Mae Marsh, George Melford, Helen Beverly, Jan Arvan, Ben Astar, Kit Carson, Albert Cavens, Fred Cavens, Jean Corbett, Noreen Corcoran, Sally Corner, Leo Curley, Frank DeKova, Irene Demetrion, Van Des Autels, John Doucette, Anthony Eustrel, Dan Ferniel, Bess Flowers, Sam Gilman, Roy Gordon, Michael Granger, Percy Helton, Thomas Browne Henry, Rosalind Ivan, Richard Kean, George Keymas, Donald C. Klune, Nicolas Koster, Virginia Lee, Virginia Ann Lee, David Leonard, Alfred Linder, Emmett Lynn, Christey Marlo, Eleanor Moore, Edward Mundy,Arthur Page, Francis Pierlot, Alex Pope, Guy Prescott, Ford Rainey, Peter Reynolds, Pamela Robinson, George Robotham, Hayden Rorke, Gloria Saunders, Norbert Schiller, Harry Shearer, Marc Snegoff, Marc Snow, Murray Steckler, George E. Stone, Arthur Tovey, Otto Waldis, Gene Wesson.



Cristo vestia um manto quando foi obrigado a tomar o rumo do Calvário? Historiadores da ocupação romana na Palestina afirmam que os condenados à cruz seguiam despidos ao local da execução. Mesmo assim, Lloyd C. Douglas ofereceu resposta particularizada em O manto sagrado, portentoso volume de especulação histórica, epopeia de fé, amor, abnegação e carolice costurado pelo manto que Cristo teria supostamente trajado antes do suplício final. 





Hollywood, durante a década de cinquenta, sente profundamente o esvaziamento dos cinemas em decorrência da televisão. Adota várias táticas para conter a debandada do público, dentre as quais a realização de superproduções apoiadas em temas bíblicos, aspectos da história do Império Romano e sagas heroicas passadas na Europa medieval. A adaptação do livro de Douglas pertence a essa vaga.





Ao longo dos anos 50 e 60, as túnicas dos profetas, os saiotes dos centuriões e as armaduras dos guerreiros e cavaleiros marcaram presença em Quo vadis (Quo vadis, 1951), de Mervin LeRoy; Ben-Hur (Ben-Hur, 1959), de William Wyler; Os Dez Mandamentos (The Ten Commandments, 1955), de Cecil B. DeMille; El Cid (El Cid, 1961), de Anthony Mann; O Rei dos reis (King of kings, 1961), de Nicholas Ray; A maior história de todos os tempos (The greatest story ever told, 1965), de George Stevens; Salomão e a rainha de Sabá (Solomon and Sheba, 1959), de King Vidor; Cleópatra (Cleopatra, 1963), de Joseph L. Mankiewicz; A queda do Império Romano (The fall of the Roman Empire, 1963), de Anthony Mann; Spartacus (Spartacus, 1960), de Stanley Kubrick etc.





Diretores de prestígio arriscavam a reputação conduzindo espetáculos marcados pelo exagero e por cenografias de gosto duvidoso, próximas do ridículo em muitos casos. A tática funcionou em parte. Alguns desses filmes tornaram-se sucessos de bilheteria. Mas o público pagava apenas para vê-los, sem isso significar retorno incondicional às salas para prestigiar produções de outro jaez.





No fundo, a situação de Hollywood pioraria. Recursos vultosos eram desviados para as superproduções, obrigando os estúdios a pisar no freio de sua linha de montagem. Os capitais imobilizados em reconstituições de épocas, pesquisa histórica, construções de cenários colossais, figurinos, salários, campanhas publicitárias maciças e alimentação geravam a diminuição de produtos ofertados. Instalava-se uma situação de insegurança, pois o fracasso de uma grandiosidade poderia implicar na bancarrota da companhia produtora e abalar todo o sistema. Se Ben-Hur foi decisivo para livrar a Metro-Goldwyn-Mayer da falência, Cleópatra quase provocou a ruína da 20th Century-Fox — que antes lucrara o alto (para a época) montante de 19 milhões de dólares com O manto sagrado, somente nos Estados Unidos e por ocasião do lançamento. 





O manto sagrado introduz duas novidades: o Cinemascope e o som estereofônico. Sua trama se desenrola em Roma e na Palestina. Reconstitui a saga do manto acompanhando a trajetória do tribuno Marcellus Gallio (Burton), de sua amada Diana (Simmons) e do escravo grego Demétrius (Mature) —, personagens que convivem em meio às intrigas palacianas da corte dos césares Tiberius (Thesiger) e Calígula (Robinson), das ebulições decorrentes da crucificação de Cristo e das primeiras pregações do apóstolo Pedro (Rennie). 





Devido aos caprichos do afetado Calígula, Marcellus, apesar de sua ascendência patrícia, é obrigado a servir Roma entre as forças de ocupação na Palestina, o lugar mais conflagrado do Império. Logo que chega, acompanhado de Demétrius, recebe a infame incumbência de executar na cruz um pregador acusado de blasfêmia e perturbação da ordem pública. Marcellus se embriaga para suportar os horrores da missão. Cumprido o dever, ganha num jogo disputado aos pés do lenho as vestes do condenado. Estas são confiadas a Demétrius, que assiste horrorizado ao espetáculo. A seguir, escravo e senhor se afastam depois de um desentendimento. Marcellus, atordoado, mergulha na catatonia e em pesadelos constantes. Ao ser questionado pelo seu estado, responde com a pergunta: "Você também esteve lá?" (no Calvário). 





Psicologicamente debilitado e amedrontado, o tribuno retorna a Roma. Procura aconselhamento médico, sem solução. Nem mesmo o reencontro com Diana lhe levanta o moral. Todos encontram apenas uma explicação para o fenômeno: ele foi enfeitiçado pelo manto. Nomeado agente especial por Tibério, é exortado a voltar à Palestina para localizar e destruir a causa dos malefícios. 





O resto da história deriva do reencontro do tribuno com seu escravo, agora vivendo entre os primitivos cristãos. Demétrius põe a peça que Cristo trajava nas mãos de Marcellus e, imediatamente, milagrosamente, cessam os tremores e temores. É o começo da conversão, seguido do retorno a Roma, com Demétrius e Pedro. Diana também não demorará a partilhar da nova fé. Logo advirá o conflito maior com o Estado pagão, representado por Calígula. Demétrius, preso e torturado, consegue escapar, a tempo de assistir ao julgamento de Marcellus e Diana, condenados à morte por flechas. A caminho da execução, Diana confia o manto ao ex-escravo, para ser enviado ao "grande pescador" (Pedro).





No geral, preservando as exceções de sempre, O manto sagrado padece do mesmo mal que acometeu produções semelhantes: ausência de dinâmica narrativa. O aparato da superprodução contamina tudo e todos. A fluência da história é sacrificada pela grandiloquência, afetação e pomposidade. Tanto peso ofusca a naturalidade esperada para gestos e atuações, falseando falas e tornando ridículos alguns desempenhos — como acontece no instante em que o "efeito maléfico" do manto cessa sobre Marcellus. A direção de Koster praticamente inexiste. Falta-lhe a mão de um Cecil B. DeMille para conferir um mínimo de personalidade, fluidez e dignidade a um espetáculo recheado de licenciosidades. O manto sagrado também se ressente dos efeitos danosos da pouca familiaridade com o Cinemascope. A produção temia que closes e planos aproximados sofressem deformação na tela. Por isso, tudo foi filmado à relativa distância, afastando mais ainda o filme do espectador, tornando mais fria e despersonalizada a saga contada. 





Apesar de seus problemas, O manto sagrado foi indicado ao Oscar de Melhor Filme, repetindo a história de equívocos cometidos pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Porém, triunfou o bom senso: a estatueta dourada da categoria foi para A um passo da eternidade (From here to eternity, 1953), de Fred Zinnemann. Mas nem tudo é perfeito. Alguns críticos americanos destrambelhados incluíram o filme de Koster entre os melhores de todos os tempos, algo difícil de entender. Richard Burton também foi preterido na condição de Melhor Ator. Não merecia mesmo. Cedeu a vez (que nunca teve) a William Holden pela atuação em Inferno 17 (Stalag 17), de Billy Wilder. Como consolo, O manto sagrado se saiu vitorioso nas categorias de Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte em Cores. Recebeu ainda, do setor de Prêmios Técnicos ou Científicos ‑ Classe I, estatuetas conferidas a Henri Chretien, Earl Sponable, Sol Harprin, Lorin Grignon, Herbert Bragg e Carl Faulkner pela criação, aperfeiçoamento e elaboração de equipamentos, processos e técnicas do Cinemascope.





Em 1954, Delmer Daves, responsável por alguns dos melhores westerns dos anos 50, dirigiu Demétrius, o gladiador (Demetrius and the gladiators), continuação menos carola de O manto sagrado, relativamente superior em termos narrativos e cinematográficos. 


Roteiro: Albert Maltz e Philip Dunne, baseados no livro homônimo de Lloyd C. Douglas. Adaptação: Gina Kaus. Direção de fotografia (Cinemascope, Technicolor): Leon Shamroy. Desenho de produção e direção de arte: George W. Davis, Lyle R. Wheeler. Decoração: Walter M. Scott, Paul S. Fox. Música: Alfred Newman. Figurinos: Emile Santiago (não creditado). Montagem: Barbara McLean. Som: Bernard Freericks, Roger Heman. Maquiagem: Ben Nye. Efeitos fotográficos especiais: Ray Kellogg. Assistente de direção: Tom Connors Jr. Gerente de unidade de produção: Joseph C. Behm (não creditado). Segundo assistente de direção: Donald C. Klune (não creditado). Pintura: Gordon Butcher (não creditado), Bill Harris (não creditado), Bill Jekel (não creditado), Ken McClelland (não creditado), Duncan Spencer (não creditado), Tony Reveles (não creditado), Clayton Thomason (não creditado), Fred Tuch (não creditado), William Tury (não creditado), Delmer Yoakum (não creditado). Fotografia fixa: Eugene Kornman (não creditado), John Flórea (não creditado), James Mitchell (não creditado). Edição de som: Clyde Carruth (não creditado), Walter Rossi (não creditado). Efeitos especiais: James B. Gordon (não creditado). Pintura matte: Matthew Yuricich (não creditado). Dubles: Fred Carson (não creditado), Albert Cavens (não creditado), Fred Cavens (não creditado), Tom Hennesy (não creditado), Nosher Powell (não creditado), George Robotham (não creditado), Danny Sands (não creditado), Bill White Jr (não creditado). Assistentes de câmera: Lee Crawford (não creditado), Harvey L. Slocomb (não creditado). Chefe do departamento de câmera: Sol Halperin (não creditado). Operador de câmera: Irving Rosenberg (não creditado). Eletricista-chefe: Clyde Taylor (não creditado). Direção de guarda-roupa: Charles Le Maire. Supervisão de guarda-roupa no set: Adele Balkan (não creditado). Guarda-roupa: Sam Benson (não creditado), Ed Wynigear (não creditado). Confecção de figurinos: Dorothea Hulse (não creditado). Assistente de confecção de figurinos: Dorothy Lou Macready (não creditado). Gerente de guarda-roupa masculino: Clinton Sandeen (não creditado). Armaduras: Jimmy Spies (não creditado). Assistente de montagem: Lyman Hallowell (não creditado). Orquestração musical: Edward B. Powell. Direção de coral: Ken Darby (não creditado). Canto: Carol Richards (não creditado). Chefe de transportes: James E. Ruman (não creditado). Consultor de Technicolor: Leonard Doss. Instrutores de esgrima: Albert Cavens (não creditado), Fred Cavens (não creditado). Gerente de publicidade: James Denton (não creditado). Publicidade: Stan Margulies (não creditado), Sonia Wolfson (não creditado). Assistente de pesquisa para Cinemascope: Jack Muth (não creditado). Coreografia: Stephen Papich (não creditado). Consultoria técnica: Jack Pennick (não creditado). Direção de pesquisa para Cinemascope: Earl I. Sponable (não creditado). Créditos de abertura: Allen Wise (não creditado). Tempo de exibição: 135 minutos. 





(José Eugenio Guimarães, 1975)



MEU BLOG: "Eugenio em Filmes"http://cineugenio.blogspot.com
 

6 comentarios:

  1. Um muito adequado para os dias da Semana Santa que só aconteceram filmes clássicos como os de Ben-Hur Eu realmente gosto .... eu não entendo é que as casas de produção galinha cortar a tela, no formato antigo você pode estender seus olhos e desfrutar os melhores filmes ... Bem, eu gostava mais ... grande revisão e querido precisa, obrigado por compartilhar
    beijos 😘😘😘

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  2. Tem seu valor, Maria Del Socorro. Houve época na qual gostava mais. Minha mãe adorava esses filmes.

    Beijos.

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    Respuestas
    1. Sua mãe tinha muito bom gosto ... e deu-nos um grande homem, abençoá-la, beija meu céu milhas, fomos em frente ... !!!
      😘😘😘👧👦❤️💛😇😇😇🙏🙏

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    2. Obrigado pelo referência a Dona Iracema, Maria. Beijos.

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  3. Encantadora entrada maravillosas letras gracias por compartir estas grandes letras feliz semana saludos cordiales

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    1. Gracias, Isidro. Abraços fraternos. Saludos.

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