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martes, 28 de febrero de 2017

OS DOZE APÓSTOLOS PROFANOS DE REISMAN


OS DOZE APÓSTOLOS PROFANOS DE REISMAN



A guerra conjuga, essencialmente, os verbos matar, destruir, tomar, invadir, atacar, trucidar, conquistar e vencer. Então, quais os soldados mais indicados para os combates? Os pacatos cidadãos comuns, transformados em máquinas de aniquilação por força de exaustivos treinamentos e doutrinações? Convertidos, muitas vezes, em desajustados sociais em tempos de paz? Ou os mais recomendados seriam indivíduos já tarimbados em assassinatos ou em qualquer tipo de conduta antissocial? Se estes morrerem no front, será, para a visão cínica de Robert Aldrich, o menor dos males. Se sobreviverem, que sejam condecorados, transformados em heróis, adaptados aos rigores da vida militar! É de homens assim que as forças armadas necessitam, parece dizer o diretor de Os doze condenados (The dirty dozen, 1967), considerado leitura profana dos Evangelhos.





A apreciação a seguir é dedicada às memórias do Cine Odeon (Viçosa/MG/Brasil) e de seus funcionários, Francisco Cunha Amorim (Chico Borró) e Custódio de Souza Parreira. Eles adoravam Os doze condenados.









Os doze condenados
The dirty dozen

Direção:
Robert Aldrich
Produção:
Kenneth Hyman
Metro-Goldwyn-Mayer, MKH, Seven Arts Productions
EUA, Inglaterra ― 1967
Elenco:
Lee Marvin, John Cassavetes, Robert Ryan, Ernest Borgnine, Charles Bronson, Jim Brown, Telly Savalas, Trini Lopez, Donald Sutherland, Clint Walker, George Kennedy, Ralph Meeker, Al Mancini, Richard Jaeckel, Robert Webber, Tom Busby, Ben Carruthers, Stuart Cooper, Robert Phillips, Colin Maitland, George Roubicek, Thick Wilson, Dora Reisser, os não creditados Harry Brooks Jr., Gerard Heinz, John G. Heller, John Hollis, Hildegard Knef, Richard Marner, Dick Miller, Lionel Murton, Suzanne Owens-Duval, Frederick Schiller, Richard Shaw e Vicki Woolf.



Filmado nos estúdios britânicos da Metro-Goldwyn-Mayer, Os doze condenados é o décimo-oitavo título dirigido por Robert Aldrich e seu maior sucesso comercial. O generoso retorno nas bilheterias lhe permitiu incrementar companhia produtora própria, a Aldrich and Associates. Infelizmente, o sonho de independência financeira e criativa, comum aos melhores realizadores do cinema americano, durou curtos cinco anos, de 1968 a 1973. Nesse período, a carreira de Aldrich entrou em declínio. A mão segura e o talento o abandonaram. Excetuando-se os bons A vingança de Ulzana (The Ulzana’s raid, 1972) e O imperador do norte (The emperor of the North, 1973), suas demais realizações no referido quinquênio são, na maioria, frustrantes: A lenda de Lylah Clare (The legend of Lylah Clare, 1968), Triângulo feminino (The killing of Sister George, 1969), Assim nascem os heróis (Too late the hero, 1970) e Resgate de uma vida (The Grissom gang, 1971) decepcionaram crítica e público.


Apesar das controvérsias, Os doze condenados é o último grande título de uma carreira que atinge o ápice de meados dos anos 50 ao começo do decênio seguinte. Nessa época, Aldrich inscreve seu nome no rol dos melhores cineastas americanos. O último Bravo (Apache, 1954), Vera Cruz (Vera Cruz, 1954) e O último pôr-do-sol (The last sunset, 1961) injetam sangue novo no western; Morte sem glória (Attack!, 1956) critica duramente o militarismo, denuncia as atrocidades da guerra e cria uma série de problemas com o Exército Americano; A morte num beijo (Kiss me deadly, 1955) radicaliza o pessimismo do film noir, inserindo-o no clima de pesadelo da era atômica; A grande chantagem (The big knife, 1955) desnuda a máquina de “moer carne” hollywoodiana. Somam-se a essas realizações vigorosas A dez segundos do inferno (Ten seconds to hell, 1959) e o perturbador e sinistro O que terá acontecido a Baby Jane? (What ever happened to Baby Jane?, 1963).


A carreira de Aldrich é abalada por inúmeros atritos com produtores. Estes, geralmente, estranham a audácia e o caráter marcadamente pessoal do cineasta. Tentam lhe conter o ímpeto de todas as maneiras: vetam a ousadia da imagem de duas mulheres se beijando na abertura de Pânico em Singapura (World for ransom, 1954); alteram acintosamente o final de O último bravo; expurgam 30 minutos de Colinas da ira (The angry hills, 1959), 24 de A dez segundos do inferno e 42 de O vôo do Fênix (Flight of the Phoenix, 1965); sabotam a montagem de O último pôr-do-sol; descartam as cenas de lesbianismo de Sodoma e Gomorra (Sodom and Gomorrah, 1962)[1], biblicamente tão apropriadas ao tema.


Victor Franco (Cassavetes), Robert Jefferson (Brown), Samson Posey (Walker), Joseph Wladislaw (Bronson), Archer Maggott (Savalas) ― condenados à morte por enforcamento ―, M. Vladek (Busby), Vernon Pinkley (Sutherland), S. Gilpin (Carruthers), Sawyer (Maitland), R. Lever (Cooper), Bravos (Mancini) e Pedro Jimenez (López) ― sentenciados a penas que variam de 20 a 30 anos de prisão ― são os personagens que dão sentido ao título Os doze condenados. Formam, na opinião abalizada do psicólogo Capitão Kinder (Meeker), “o pior bando de psicopatas e antissociais” que já viu. Entre eles há de tudo: assassinos, estupradores, fanáticos religiosos e ladrões. De repente, a “dúzia suja” torna-se interessante ao mesmo Exército Americano que a banira. A partir daí, Aldrich constrói um filme de guerra pouco habitual, imprudentemente classificado como fascista pelos críticos mais apressados.


Na verdade, numa análise mais fria, Os doze condenados permite a Aldrich desenvolver mais uma vez ― agora de forma gostosamente cínica, debochada e na escala apropriada a um filme de aventuras soberbo e dinâmico ― os temas do antibelicismo e do antimilitarismo que lhe são tão caros.


Corre o ano de 1944. Faltam poucos meses para o Dia D. Os generais Denton (Webber) e Worden (Borgnine) passam ao insubordinado Major Reisman (Marvin) ordens recentes do Estado Maior das forças estadunidenses baseadas na Inglaterra. Deverá levar adiante missão tão secreta quanto insólita, consubstanciada no estranho Projeto Anistia: assumir a responsabilidade pela “dúzia suja” e treiná-la para realizar ação tão perigosa quanto estapafúrdia na Bretanha, em Rennes, França ocupada. A força-tarefa será lançada de paraquedas nas proximidades do alvo a ser tomado, um castelo ao qual convergem altas patentes nazistas a eliminar. Esse duro golpe enfraquecerá o comando das tropas alemãs, facilitará o desembarque dos aliados na Normandia e sua progressão pelo continente europeu.


A missão na França envolve pequena parte do filme. Quase todo o tempo é dedicado ao treinamento da "dúzia" e ao convívio intragrupal, destacando-se os relacionamentos com Reisman. O Major trata o grupo duramente. Por isso, o papel do líder da operação só poderia ser de Lee Marvin. O fenótipo do ator é dos mais adequados à máscara do militar durão, insubordinado, cínico e de métodos próprios. Ele sabe: a promessa de remissão das penas não basta como incentivo. Por isso, concentra todos os esforços do treinamento à superação do individualismo imperante no seio do grupo. Os doze devem aprender a pensar e agir como equipe. Essa é a condição sine qua non ao sucesso da complicada e perigosa tarefa, coroada com o retorno de poucos sobreviventes ― como é do conhecimento geral.


Os doze condenados possui precisão narrativa e dinamismo raras vezes vistos num filme de ação. Aldrich imprime ritmo rápido e eletrizante a essa história protagonizada por homens perigosos, violentos e truculentos. A música de Frank De Vol ― colaborador habitual do diretor — e a montagem de Michael Luciano fornecem contribuições precisas à sólida construção desse bem orquestrado empreendimento fílmico. Além das excelentes atuações de Lee Marvin, Donald Shuterland e John Cassavetes, Os doze condenados conta com pequenas e eficazes participações de Robert Ryan ― o empolado, arrogante e puxa-saco Coronel Everett Dasher-Breed —, Ernest Borgnine — provavelmente, o sorriso cínico mais gostoso do cinema — e George Kennedy — o atrapalhado Major Armbruster. Mas a melhor surpresa do elenco é ver os limitados e ainda coadjuvantes Charles Bronson, Telly Savallas, Jim Brown e Clint Walker rendendo bem em seus personagens. Infelizmente, desperdiçaram as potencialidades num sem-número de estereótipos, interpretando “brucutus” de todas as espécies.


Uma das mais estranhas e interessantes análises de Os doze condenados foi fornecida por um crítico inglês[2] que o comparou a uma interpretação profana dos Evangelhos. Assim, Lee Marvin seria um Cristo banhado em mundanidade; os integrantes da dúzia proscrita encontrariam equivalência nas variações truculentas de os doze apóstolos, obrigados à imolação para ganhar a remissão de crimes e pecados. Archer Maggott — o insano puritano que por pouco e propositalmente não provocou o fracasso da missão —, encontraria, nessa leitura, correspondência com o traidor Judas Iscariotes.


Com o filme Aldrich parece dizer: na guerra, onde as ordens se resumem basicamente a aniquilar, destruir e matar, os melhores soldados são como os pupilos do Major Reisman: gente habituada à morte e às mais diversificadas formas de violência; insensível a assassinatos; capaz de matar por qualquer motivo. Os doze eleitos nada têm a perder. Correm apenas o risco de trocar a certeza da forca ou da prisão pelas possibilidades de sobrevivência e libertação após a experiência no front. Ou morrerão de qualquer jeito, mas como heróis abnegados e altruístas que perderam as vidas "no cumprimento do dever" — segundo a verdade oficial que será construída a respeito do grupo e da saga, ratificada na referência do epílogo aos nomes de Franco, Jefferson, Posey, Maggott, Vladek, Pinkley, Gilpin, Sawyer, Lever, Bravos e Jimenez. E pensar que, no início, esses homens, em seqüência memorável, foram apresentados como criminosos irrecuperáveis, merecedores da forca ou de longos anos de prisão.


Da ação em Rennes sobrevivem apenas Reisman, o “condenado” Wladislaw e o correto Sargento PM Bowers (Jaeckel) — responsável, durante toda a operação, pela guarda dos condenados e disciplina do campo de treinamento. Entretanto, os elogios do alto comando são transmitidos apenas ao insubordinado personagem interpretado por Lee Marvin e ao “convicto assassino” vivido por Charles Bronson. Bowers — soldado por vocação, correto, atento aos regulamentos — termina o filme encarando, atônito, o desprestígio. Na guerra, pergunta Aldrich: quem se sobressai como herói? Ele mesmo responde: parece que não são os inocentes e pacatos cidadãos comuns, transformados em soldados por força do treinamento, muitos dos quais retornam mentalmente avariados ao término dos conflitos. Sobressaem-se os dotados de vocação destruidora, geralmente proscritos pelas sociedades nos tempos de paz.


A televisão garantiu sobrevida à realização de Aldrich no seriado Dirty dozen: The series, de 1988, e em três continuações deprimentes e oportunistas: Os doze condenados: A nova missão (The dirty dozen: The next mission, 1985), de Andrew V. McLaglen; Os doze condenados: Missão mortal (The dirty dozen: The deadly mission, 1987), de Lee H. Katzin; e, desse mesmo diretor, The dirty dozen: The fatal mission (1988).


No cinema, Os doze condenados teve diversas imitações, nenhuma digna de nota. A melhor é A brigada do diabo (The devils’s brigade), de Andrew V. McLaglen, rodada em 1968 quando o filme de Aldrich ainda estava fresco na memória do público. Mas não há como reclamar de continuações e imitações ao se saber que Os doze condenados guarda estreita semelhança com A invasão secreta (The secret invasion, 1964), de Roger Corman. Neste, os aliados mobilizam cinco criminosos civis para libertar um general italiano aprisionado pelos nazistas na Iugoslávia. Mas o filme de Aldrich é incomparavelmente superior.


Em 1968 Os doze condenados foi agraciado com o Oscar de Melhor Efeitos Sonoros para John Poyner. À estatueta dourada também concorreram Michael Luciano pela Melhor Montagem; a MGM-SSD pelo Melhor Som; e John Cassavetes a Melhor Ator Coadjuvante — na mesma categoria foi indicado ao Globo de Ouro. Robert Aldrich recebeu indicação ao prêmio do Directors Guild of America como Outstanding Directorial Achievement in Motion Pictures. Do Laurel Awards, Lee Marvin venceu pela Melhor Performance em Filmes de Ação. O mesmo instituto conferiu a Jim Brown o segundo lugar em Melhor Interpretação Masculina e indicou John Cassavetes à quarta posição dessa categoria, reservando ao título a terceira colocação no recebimento da Golden Laurel para realizações de ação dramática. Os doze condenados recebeu da revista Photoplay, em 1967, a Medalha Dourada.


Música: Fank De Vol. Canções: The bramble (música de Frank De Vol, letra de Mack David), Eisam (música de Franke De Vol, letra de Sibylle Siegfried). Direção de fotografia (Metrocolor): Edward Scaife. Direção de arte: William E. Hutchinson. Supervisão de efeitos especiais: Cliff Richardson. Roteiro: Nunnally Johnson, Lukas Heller, com base em novela de E. H. Nathanson. Efeitos sonoros: John Poyner. Créditos: Walter Blake. Produtor associado: Raymond Anzarut. Assistente de direção: Bert Batt. Operadores de câmeras: Alan McCabe, Tony Spratilind, Paul Wilson (não creditado). Montagem: Michael Luciano. Gerente de unidade de produção: Jullian Mackintosh. Continuidade: Angela Allen. Maquiagem: Walter Schneiderman, Ernest Glasser. Gravação de som: Franklin Milton, Claude Hitchcock. Assistente de direção de arte: Colin Grimes (não creditado). Planejamento do set: Tim Hutchinson (não creditado). Assistente de contra-regra: Mickey Lennon (não creditado). Edição de som: John Poyner, Van Allen James (não creditado). Efeitos especiais: Alan Barnard (não creditado), Jimmy Harris (não creditado), Peter Hutchinson (não creditado), Garth Inns (não creditado), Roy Whybrow (não creditado), Jack Woodbridge (não creditado). Coordenação de dublês: Gerry Crampton. Dublês (não creditados): Ken Buckle, Gerry Crampton, Jim Dowdall, Joe Dunne, Romo Gorrara, Loren Janes, William Offer, Terence Plummer, Nosher Powell, Mike Reid, Terry Richards, Rocky Taylor, Paul Weston. Grip: Jim Dawes (não creditado), Dennis Fraser (não creditado). Claquete: David Wynn-Jones (não creditado). Músico: Bob Bain (violão, não creditado). Direção musical: Frank De Vol (não creditado). Motorista: Walter Lesley Tiley. Armamentos: Jim Dowdall (não creditado). Focus puller (segunda unidade): Chris Ashbrook. Tempo de exibição: 149 minutos.





(José Eugenio Guimarães, 1974; revisto e ampliado em 1989)




[1] Sobre as “intervenções cirúrgicas” que os filmes de Aldrich receberam dos produtores ver: AUGUSTO, Sérgio. Virilidade e niilismo no cinema de Aldrich. Folha de São Paulo, São Paulo, 8 dez.1983. Ilustrada. p. 3.

[2] Não foi possível a identificação.





MEU BLOG: Eugenio em Filmes - http://cineugenio.blogspot.com
 

4 comentarios:

  1. Eugenio queria uma grande revisão, eu realmente gosto da reflexão com a qual iniciar o seu texto ... Há tantos heróis desconhecidos, o verdadeiro, o chamado "carne para canhão" que dão suas vidas, por vezes, sem saber o "porquê"
    Eu realmente gostei esta entrada querido, obrigado por compartilhar
    Abraços e beijo doce ... !!!

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  2. Muchas gracias, querida Maria Del Socorro. É um filme muito vigoroso de um grande diretor. Ao mesmo tempo em que oferece diversão, também proporciona uma boa reflexão. Beijos.

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  3. Una maravillosa entrada maravillosas letras gracias por compartirsaludos cordiales gracias

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  4. Muchas gracias, meu caro Isidro. Saludos.

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